Offcanvas Section

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Depois de muitos anos aboletado atrás das mesas de escritório, decidi por sair às ruas, hoje, para participar das manifestações contra as reformas trabalhista e previdenciária tocadas pela base de apoio ao Presidente Michel Temer.

Não foi como na juventude, quando percorria quilômetros e quilômetros sem titubear, sem parar para descansar ou para beber um único gole de água. A voz, o grito, já não brada como antigamente. No corpo, o peso da idade e dos quilos a mais adquiridos pelo longo tempo de sedentarismo, converteu-se rapidamente em suor intenso e respiração ofegante.

Ao longo dos dias que antecederam a manifestação, foram disponibilizados inúmeros textos, vídeos, postagens, matérias, mensagens em redes sociais e nos aplicativos de mensagens instantâneas, alertando que as manifestações seriam atos de determinado partido político e de pessoas a ele ligados.

Em tom de deboche, ouvi colegas de trabalho, colegas de faculdade, pessoas instruídas, com estudo superior, alguns deles até com cursos do mais alto nível acadêmico, distribuir piadas de extremo preconceito, afirmando que os participantes das manifestações seriam justamente aqueles sindicalistas e pessoas ligadas a partidos políticos que simplesmente não trabalham, logo, não seria uma greve, já que, pelo argumento de tais pessoas, não faz greve quem não trabalha.

Alheio a tudo isso, circularam pelas ruas milhares de pessoas em todo o país, caminhando, gritando, portando bandeiras, entoando o Hino Nacional, manifestando-se legitimamente, em contraposição às medidas autoritárias e desumanas que o governo tenta empurrar de goela abaixo em todos nós.

Mas a grande mídia não destaca o tamanho do movimento, mas, tão-somente, os espisódios em que houve alguma forma de violência ou vandalismo, representando o que há de mais sacana na imprensa brasileira, que é a manipulação da informação em benefício da manuntenção do estado de coisas que lhe beneficia.

É preciso que se diga que nas ruas não estavam "vagabundos", como assim querem perpassar. Nem, tampouco, estavam ali somente pessoas ligadas a determinados partidos políticos ou sindicatos. Não estavam somente os vermelhos, mas também os azuis, os amarelos, os pretos, os verdes, os violetas, os roxos, os multicores e os monocromáticos.

Marchavam, no exercício do legítimo direito constitucional de reunião e de manifestação, homens e mulheres de bens, estudantes, aposentados, trabalhadores. Da iniciativa privada e servidores públicos. Previdenciários, professores, servidores técnico-administrativos de universidades e institutos federais, industriários, agentes de fiscalização, comerciários, petroleiros, bancários, serventuários da justiça, policiais, militares, civis, federais, estaduais, municipais, agentes de trânsito, agricultures, pescadores, servidores da saúde, e tantas outras categorias profissionais.

Emociona ver jovens, que em suas inquietações adolescentes, se interessarem pela pauta trabalhista e previdenciária, para além das redes sociais e outros aplicativos, indo às ruas mostrar a sua cara, reclamando, discutindo, apresentando seu posicionamento, de forma veemente e intensidade, como outrora eu fizera!

Emociona ver famílias inteiras nas ruas, mulheres, homens, crianças, adolescentes, idosos, unidos pela causa comum a todos!

Emociona ver a Igreja Católica, institucionalmente, apoiando o movimento dos trabalhadores e de toda a sociedade contra as medidas de restrição de direitos!

Fui às ruas sim, cansado, suado, dolorido, sob o sol causticante do semi-árido nordestino ao meio-dia, não para defender Lula, Dilma, seu partido, seu legado ou sua ideologia. 

Fui às ruas por meus filhos, pela minha companheira de todos os dias, por minha mãe, por meus irmãos, por meus amigos. 

Fui às ruas por mim, por meus direitos, por você, trabalhador que não pode ir com medo ou receio, legítimo, de sofrer represália do patrão ou do chefe. Fui às ruas por você, estudante, que ainda não chegou ao mercado de trabalho, e que vê hoje seus direitos ameaçados.

Fui às ruas até mesmo por você, cidadão, que não se permitiu descer à calçada por acreditar na falsa afirmação de que estaria "reforçando" um determinado projeto político, mas que será, da mesma forma, afetado pelas medidas que estão em vias de serem implantadas. 

E que venham as próximas!!