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Parafraseando o ex-presidente Lula, "nunca na história desse País" tivemos um Presidente da República denunciado por crime cumum perante o Supremo Tribunal Federal(STF), fato que marca o pioneirismo de Michel Temer em seu curto tempo de mandato.

No contexto do Brasil pós-ditadura militar não chega a ser novidade um Presidente da República estar sob o crivo de um julgamento por seus atos enquanto presidente, pois destaque-se que dois ex-presidentes foram submetidos e destituídos do cargo por processo de crime de responsabilidade, o denominado impeachment, que fulminou os mandatos presidenciais de Fernando Collor de Melo e de Dilma Roussef.

O novo em relação a Michel Temer é o fato de que ele foi denunciado não por crime de responsabilidade, mas por crime comum, no caso da primeira denúncia, por crime de corrupção passiva, em face do alegado recebimento de 500 mil reais em dinheiro e promessa de recebimento de 30 milhões de reais, segundo a denúncia do Procurador Geral da República Rodrigo Janot.

Mas não é somente desse processo já iniciado que Michel Temer terá que se desvencilhar, pois há notícias de que a Procuradoria Geral da República ingressará com pelo menos mais duas ações penais contra o Presidente, aumentando o calvário que o Presidente terá que ultrapassar para cumprir todo o mandato que lhe foi dado após a queda de Dilma Roussef.

Sabe-se que o Presidente possui maioria hoje na Câmara dos Deputados, o que certamente lhe garantirá escapatória em relação a essa primeira denúncia, já que são necessários 342 votos no Plenário para que seja autorizado o prosseguimento da denúncia, bastando que Michel Temer garanta 170 votos a seu favor ou mesmo abstenções, o que é tranquilo na situação atual.

Há, entretanto, alguns complicadores para o Presidente!

O primeiro aspecto negativo ao Presidente é o seu baixíssimo grau de aprovação perante a população, que não chega a dez por cento, o que pode vir a comprometer a reeleição futura daqueles que votarem a favor de Michel Temer, já que a rejeição aos políticos tradicionais cresce, principalmente àqueles envolvidos em algum escândalo de corrupção ou mesmo que protegem colegas envolvidos.

O segundo ponto que preocupa Michel Temer e seus aliados, é o fato de que Rodrigo Janot optou por dividir as denúncias contra Michel Temer, o que deverá gerar pelo menos mais duas ações no STF, aumentando o desgaste tanto do Presidente quanto dos eventuais defensores dele na Câmara dos Deputados, que podem vir a comprometer completamente projetos futuros de reeleição se continuarem a blindar o Presidente.

Nesse contexto, já toma forma um movimento político que menciona a assunção do cargo de Presidente da República por parte do atual Presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ), atualmente o primeiro na linha sucessória, com articulação de eleições indiretas, que poderia culminar com a eleição de um cacique do PSDB, tal como Tasso Jereissati ou mesmo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Não se pode esquecer também a possibilidade de celebração de acordo de colaboração premiada de alguns figurões da política fortemente ligados ao Presidente, tais como a delação do ex-Deputado Eduardo Cunha e de Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor direto de Michel Temer gravado recebendo e correndo com uma mala contendo 500 mil reais, dada por um executivo da JBS, supostamente para o Presidente. Outro potencial colaborador, com proximidade suficiente para desgastar ainda mais a imagem do Presidente é Geddel Vieira Lima, preso essa semana por obstrução das investigações, que já demonstrou sinais de fraqueza, ao chorar quando da manutenção de sua prisão durante a audiência de custódia perante um Juiz Federal.

Por fim, Michel Temer se embebeda do mesmo veneno que terminou por destituir Dilma Roussef do mandato presidencial: seus aliados!

Ora, todos sabem que ali, da mesma forma que na época que Dilma Roussef assumiu o segundo mandato, formou-se uma aliança frágil, com parceiros de conveniência, sendo a coalizão que sustenta hoje Michel Temer uma folha de papel em meio a uma tempestade, que pode se romper ao menor sinal de pressão e exposição às intempéries. Assim como Temer espreitou o cargo de Dilma Roussef, alguns urubus rondam o combalido Presidente, esperando a sua queda para se esbaldar na carniça.

Uma situação previsível, em face das circunstâncias que permitiu a ascenção de Michel Temer ao poder, por meio de uma trama política traiçoeira sem prescedentes na história da República Brasileira, de onde somente poderia sair mais traições, afinal, plantou vento e então chegou a hora de colher tempestade.