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Por Marcos Araújo

Neste final de semana, a cidade de Mossoró recebe cursilhistas (membros de um movimento da igreja católica) de várias cidades do Nordeste para uma Assembleia Regional. Essas assembleias são os albores, as auroras espirituais do movimento; elas são fontes produtoras da renovação e inovação na missionariedade evangelizadora. É uma raridade Mossoró sediar um encontro desses. O último acontecido por aqui foi há 20 anos.

Eis que nesse momento de luz, de festa, de planejamento espiritual para o Cursilho, fez-se trevas.  Quando se tocava o sino para o retorno de mais uma atividade do encontro, chega a notícia do falecimento  de Milton Marques de Medeiros. Um dos fundadores  do Movimento de Cursilho nesta cidade e seu dirigente por longos anos, ele era uma referência para todos que se dizem cristãos.  Sendo São Paulo patrono do Movimento de Cursilho, cabe bem repetir a pergunta que ele fez à Comunidade de Coríntios (2;6): "Que comunhão pode haver entre a luz e as trevas?". Não, não há. 

A igreja católica - o Cursilho particularmente -  lastima a morte de Milton. Relembrando o livro de Jó (cap. 16, 15 e as) a sociedade mossoroense tem "o rosto vermelho e arde de tanto chorar".

Conciliador por excelência, intelectual, tribuno, escritor, empresário, professor, apresentador de TV por diletantismo, líder maçonico, Reitor etc, esses atributos dizem respeito às suas coisas do mundo, como diria Santo Agostinho. Apesar da sua notoriedade nesse vasto mundaréu econômico e cultural, ressentimo-nos da perda do Milton voltado para as coisas do céu. A sua caridade era imensurável. Os alunos da Casa do Estudante podem testemunhar (de alimentos ao acesso à internet, era ele um dos provedores). Discreto, seguia o exemplo dado por Cristo "Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita."(Mt 3,33). Nunca alardeou seus feitos. 

Humilíssimo,  gostava mais de ouvir do que falar. Desprovido de orgulho e vaidade, não fez dissidentes nos ambientes intelectuais onde laborou. Tinha a placidez na alma, daí a razão de chama-lo de "Embaixador". 

Foi meu professor há 30 anos. Depois, meu colega de profissão duplamente (advogado e professor). Cordato, educado, raramente falava nas reuniões da Faculdade de Direito. Como Reitor, ficou "mouco" de tanto ouvir. Bem agora no tempo   de páscoa - passagem -, ele passou da vida terrena para a celestial. Diria ele, numa brincadeira mitológica, "amigo Velho, peguei o barco de Caronte, o barqueiro de Hades, para atravessar os rios Estige e Aqueronte".

Lembro que a notícia chegou no Cursilho no momento da badalada do sino que se utiliza nas reuniões para convocação à sala das mensagens. O sino tocou por determinação divinal, anunciando a páscoa de Milton, pedindo a todos os assembleanos essa reverência. Antigamente, as cidades surgiam no entorno da igreja. Quando surgia um fato relevante para a população, o sino era tocado. Com isto se pedia a atenção de todos. Era assim quando em 1764 o escritor e clérigo anglicano John Donne, um parente de São Thomas More, santo católico decapitado pelo rei Henrique VIII, redigiu, em sua “Meditação 17” o trecho hoje famoso: “Nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti” (“And therefore never send to know for whom the bell tolls; it tolls for thee”). Heminguay depois escreveu um best-seller perguntando: "Por quem os sinos dobram?"

Tomando por metáfora, a frase de Done, que todos os sinos desta cidade dobrem e toquem em memória de Milton Marques de Medeiros, o Embaixador da Concórdia. 

Quando um homem como Milton Marques morre, mesmo os católicos acreditando que seja melhor porque  ele está no céu, a terra reveste-se de luto e profundo pesar. E sofre pela falta que fará o seu idealismo, por suas ações, por seu exemplo perseverante como verdadeiro cidadão. O Estado do RN ficará muito mais pobre...

Se a vida nossa é um livro, quando um homem morre, um capítulo não é arrancado do livro mas traduzido para uma linguagem melhor. Os capítulos seguintes da história de Milton será traduzido pelo legado humano que ele deixou, perpetuado por Dona Zilene, Stella Maris e seus três irmãos, além dos netos. À sua família, minhas condolências. 

Ave, Milton Marques, o Embaixador da Concórdia!