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Por Paulo Afonso Linhares

              Partiu cedo e deixou muito o que fazer, embora tenha feito tanto. Neste 22 de abril de 2017, Mossoró sofre um grande revés na sua cota de humanidade, com a perda de Milton Marques de Medeiros, exemplo raro de cidadão, profissional de múltiplas habilidades, líder maçônico e chefe de família. Médico, professor e vitorioso empresário, Milton, nascido em Upanema,  escolheu Mossoró para ser o seu lugar no mundo. E esta cidade não apenas o adotou, mas, dele fez um dos seus mais diletos filhos.

            Quase sempre as unanimidades são aceitas com desconfiança. Milton Marques,  na sua multifacetada vivência em Mossoró, quebrou essa regra, unanimidade que foi no conceito e na admiração de seus concidadãos. Aliás, ele plantou arduamente um estilo de vida baseado na temperança, no trabalho e na coragem de mudar para melhor o que, à sua volta, merecia ser mudado. Por isso foi que construiu  caminhos vários  enquanto caminhou por esta terra e deixa marcas indeléveis: o médico bem conceituado, o empreendedor competente e obstinado, o gestor público honesto e dinâmico, de suas passagens como presidente do então Instituto de Previdência Social dos Servidores do Estado do Rio Grande do Norte (IPE) e, mais recentemente, na condição de reitor, por oito anos, da Fundação Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

            A generosidade foi decerto sua marca mais visível. Sim, Milton sempre tinha uma palavra amiga de apoio ou um bom conselho, daqueles que somente a sabedoria destilada das  experiências de vida permitem emitir. Sua fala era calma, parcimoniosa e revelavam segurança nos conceitos  e argumentos que construía com a boa 'argamassa' do conhecimento multifacetado  e de remansadas vivências. Tratava a todos indistintamente com respeito e cordialidade; mesmo naqueles momentos em que era injustamente agredido - e o foi algumas vezes, como dolorosas exceções até mesmo para confirmar a regra de sua unanimidade - não perdia a compostura e a serenidade, embora mantendo firmeza.

            A despeito de não aparentar, era inquieto, sobretudo, no afã de edificar, de empreender, de buscar novos rumos, de fazer mais e melhor para tantos dos seus concidadãos e para a Cidade que o adotou, Mossoró de Santa Luzia. Neste sentido, seus interesses eram muitos e sua atuação se dava em domínios de variados tons: educador, médico, comunicador, articulista, empresário, graduado maçom e filantropo. A ausência de quadros na desolação provinciana lhe impôs a tarefa do desempenho de múltiplos e complexos papéis sociais. Jamais se esquivou de desempenhá-los com igual entusiasmo, competência e denodo, embora por vezes lhe fossem insuficientes as horas de um  só dia para tantos labores e atenções.

            Milton Marques de Medeiros viveu o seu tempo. Intensamente. Acrescentei-lhe ao nome  o tratamento nobiliárquico de "Dom", assim maiúsculo, algo principesco que, a meu juízo, lhe cabia bem, porquanto era um homem de muitos dons, nos mil tons que teve Milton. Entretanto, sempre que assim o tratava ele ria timidamente, como para expressar que sua humildade não lhe permitia usufruir daquela singela distinção. A exemplo do poeta Milton, seu homônimo, ele sabia quão "Longo e árduo é o caminho que conduz do inferno à luz" (John Milton, 1608-1674, Lost Paradise).

            Quando nada indicava que fosse agora, tão cedo, ainda, a sua hora de ir, partiu rumo à luz; saiu de cena num cálido sábado e baixou à terra seu corpo mortal numa tarde de domingo, como se tivesse ele o cuidado de nada ou a ninguém causar mínimo transtorno, pois bem sabia que na segunda-feira, logo em seguida, o mundo caminharia par lui même, como déjà vu. E deixou um monumental vazio no cotidiano de Mossoró, o que pôde ser mensurado pela enorme multidão - jamais igualada em cortejos fúnebres nesta cidade, em qualquer tempo -, que lhe prestou uma última e comovente homenagem. Lega aos familiares, colaboradores, amigos e ao povo de Mossoró, o seu exemplo e muita saudade. Valeu, valeu mesmo Dom Milton. Ave!